As lições da luta nos Correios: como os pelegos ajudaram a ECT contra o movimento nacional

É hora de derrotar de uma vez por todas a burocracia sindical

Essa campanha salarial mostrou que a única saída para os trabalhadores é organizar e fortalecer uma oposição nacional de base, independente dos velhos sindicalistas traidores que atuam em favor da empresa
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A direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) mais uma vez investiu contra a campanha salarial utilizando o TST. Para isso, além da truculência tradicional dos patrões, a empresa contou com o sempre disposto apoio dos sindicalistas pelegos, traidores da categoria. Para entender a campanha salarial, é necessário um balanço, passo a passo, dos acontecimentos.

A data da greve

A data da greve foi aprovada no Conrep (Conselho de Representantes de Base da Fentect) realizado em São Paulo no final do mês de julho. Nesse Conrep, um dos mais participativos dos últimos anos, foi discutida toda a Pauta de Reivindicações e decidido sobre o índice salarial que seria defendido pela Fentect: 47,8%, sendo 15% de aumento real, 20% de perdas e 7,5% de inflação.

No Conrep, foi aprovado ainda a data da deflagração da greve caso a empresa não negociasse com os trabalhadores. A greve nacional foi marcada para o dia 17 a partir das 22 horas.

É importante frisar que o consenso em torno da data da greve foi possível graças à experiência do ano passado, quando a maioria dos sindicatos desrespeitou a data aprovada no congresso. A data da greve nacional – dia 17 – foi decidida no Conrep antes da escolha da federação paraguaia (Findect). Os divisionistas da Findect esperaram para marcar uma data diferente (dia 11) para dividir a greve nacional e facilitar o golpe  da empresa contra o movimento, como ficou provado posteriormente.

O primeiro golpe: a “pauta enxuta”

No Conrep, os traidores do PT-Patrão, liderados por José Rivaldo “Talibã” e Amanda Corcino, conhecida como “Marmitex” (ambos da Articulação Sindical/PT), com o apoio de uma parte da oposição que se passou para o lado dos pelegos e dos patrões, o MRL (Movimento Resistência e Luta), principalmente a diretoria do sindicato de Goiás, tentaram aprovar uma pauta que deixava de lado a maior parte das reivindicações fundamentais dos trabalhadores.

Esta pauta era praticamente idêntica à pauta fajuta apresentada pelos pelegos da Findect. Isso mostra que PT e o MRL, dentro da Fentect, e os pelegos da Findect e a direção da empresa haviam se acertado para tentar impedir a greve nacional da categoria.

A ECT nunca negocia nada

A empresa tentou, no início, barrar as negociações com a Fentect. Ela tentou impor um limite de negociadores, passando por cima do comando amplo, decidido pelos trabalhadores. Além disso, tentou impor as negociações conjuntas com a Findect (que sequer existe como federação) para facilitar o golpe nas negociações.

A luta dos membros do Comando de Negociação amplo da Fentect obrigou a empresa a recuar.

No decorrer das negociações, a empresa continuou intransigente. Para denunciar essa intransigência, a Fentect organizou um ato em Brasília que resultou inclusive com a ocupação do Edifício Sede da ECT.

Numa demonstração de que não queria negociar, a empresa apresentou uma proposta miserável de aumento: 5,27%. Com a ameaça real de greve, a empresa apresentou mais uma proposta: 8%, que também foi rejeitada pelos trabalhadores em todo o País.

Mais uma vez, ficou comprovada uma verdade básica. A ECT não negocia. Ela faz uma encenação para dizer que está negociando e procura enganar os trabalhadores dizendo que o Comando formado por representantes dos sindicatos é intransigente e não quer negociar.

Ela conta com os pelegos que ainda estão dentro da Fentect e com os pelegos da Findect para confundir os trabalhadores.

Quem é a favor do Comando Amplo de Negociação

A proposta de um Comando de Negociação composto por 41 membros (seis da diretoria da Fentect e um de cada base sindical) foi aprovada no Congresso de 2012 por iniciativa do MOPe (Movimento de Oposição ao Peleguismo). A corrente Ecetistas em Luta (PCO) sempre defendeu esse comando, pois sempre denunciou o verdadeiro “balcão de negócios” que se tornou o Comando com sete membros, usado pela empresa para corromper os sindicalistas e derrotar a luta.

Portanto, o Comando Amplo de Negociação e Mobilização sempre contou com o boicote da burocracia sindical vendida, tanto aqueles que hoje estão fora da Fentect (os divisionistas do PCdoB/CTB) como os que ainda estão na diretoria da federação (Articulação Sindical/PT).

O golpe ECT-Findect

Como já era de se esperar, a direção da ECT tramou um golpe desesperado para tentar enfraquecer a greve. Mais uma vez lançou mão dos divisionistas da Federação Paraguaia, a Findect. Dividiram a data da greve para que os trabalhadores de São Paulo e Rio de Janeiro entrassem numa greve relâmpago que durou menos de dois dias com baixíssimo índice de paralisação. Sem a aprovação da categoria, em assembleias descaradamente fraudadas, aprovaram a proposta ridícula da empresa e acabaram com a greve antes da greve nacional.

O golpe foi tão absurdo que foi repudiado pelos trabalhadores não só do Rio de Janeiro e São Paulo, mas de todo o País. Tanto que vários companheiros dessas duas bases enfrentaram a ditadura desses dois sindicatos divisionistas e entraram juntos na greve nacional.

Os diretores da Fentect e do Comando, pertencentes ao MOPe, particularmente Ecetistas em Luta, fizeram de tudo para retomar a greve em S. Paulo e no Rio de Janeiro. Foram convocadas assembleias, mas a paralisação foi apenas parcial. Isso porque, não apenas os pelegos

da Findect, como os pelegos dentro da Fentect procuraram boicotar de todas as maneiras a iniciativa.

Assim, a Findect, de comum acordo com a empresa, bloqueia a greve em S. Paulo e no Rio, dividindo e enfraquecendo o movimento nacional.

20131008_151920Quem apoiou o golpe da empresa e dos pelegos da Findect

A manobra dos pelegos de S. Paulo e Rio de Janeiro foi apoiada ativamente por um pequeno grupo de dirigentes de pequenos sindicatos ligados à Conlutas e à chamada Federação Anã: os sindicatos de S. José do Rio Preto, Vale do Paraíba, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Paraíba, por indicação dos seus dirigentes, que ocultaram as informações da sua base e confundiram os trabalhadores, entraram em greve juntamente com a Findect, dando a impressão de que a greve estava realmente começando.

Com este apoio deram uma certa aparência de realidade à traição realizada pela Findect e ajudaram a dividir a greve.

O velho golpe da “contraproposta”, ou seja, de rebaixar a pauta para agradar aos patrões

Não é de hoje que os sindicalistas pelegos de todas as espécies procuram dar um golpe na campanha salarial usando uma tática que eles chamaram de “contraproposta”, mas que deve ser chamada corretamente de rebaixamento da pauta. É um truque usado pelos pelegos para quebrar a greve.

O be-a-bá da luta sindical ensina que a única maneira de enfrentar o patrão é por meio da luta. Quanto maior a luta, a mobilização e a greve, mais a categoria vai conseguir atingir os seus objetivos. Porém, não é isso que defendem os sindicalistas pelegos. A empresa procura convencer os sindicalistas vacilantes, que estão em uma posição privilegiada em relação aos trabalhadores, que o melhor seria buscar a “conciliação”. Essa conciliação é a contraproposta.

Para colocar em prática, a empresa se mostra intransigente, como é natural, para forçar os sindicalistas a lançar mão da ideia de que a empresa apenas vai atender o trabalhador se o sindicalista se mostrar disposto a recuar e muito, ou seja, rebaixar a pauta até que não sobre mais nada para reivindicar.

Esse golpe foi feito de maneira escancarada pela Findect e pela empresa. De comum acordo com os pelegos da Findect, a ECT ofereceu 5%.

PSTU/Conlutas/FNTC: com a burocracia sindical, sempre com a burocracia sindical

Como conhece bem os trabalhadores dos Correios, os membros do PSTU/Conlutas, os primeiros a defenderem o divisionismo em nossa categoria, mais uma vez estiveram juntos com os traidores. Foi assim no PCCS (Plano de Cargos, Carreia e Salários) da Escravidão, foi assim no Banco de Horas, foi assim na derrota da greve de 2011 e por aí vai.

Esse ano, a Conlutas se superou. Primeiro, se aliou aos seus velhos amigos do peito, os divisionistas do PCdoB/CTB, para defender a divisão da data da greve e o golpe em São Paulo e Rio de Janeiro.

Depois, os mesmos se aliaram com a Articulação Sindical para rebaixar a pauta. Os “antigovernistas”  do PSTU/Conlutas estão juntos com

os “governistas” do PT para atacar a pauta e entregar a campanha salarial. Nem um nem outro participou de toda a luta do Comando de Negociação e aproveitaram o final da campanha salarial, quando a confusão é maior, para dar maioria às posições da empresa dentro da Fentect e do comando, como foi o caso da “contraproposta”.

Como funciona no correio?

No correio, há muitos anos a greve é quebrada com o golpe da “contraproposta”. A direção da ECT, diante da greve, chamava os sindicalistas para uma “conversa” e acertava às escondidas uma proposta que já havia sido estabelecida para ser aceita e acabar com a greve.

A história da “contraproposta” sempre é um bem bolado com a empresa, que “sopra” para os sindicalistas a melhor proposta (para ela) para acabar com a greve. Aí, o próximo passo era apresentar a proposta para uma assembleia relâmpago da maneira mais confusa possível e aprova-la. Quando o trabalhador acordava, já era tarde.

Esse ano, não está sendo diferente. A empresa fez a proposta de 8% e sinalizou para os sindicalistas, liderados por Hállisson Tenório (Federação Anã/Sintect-PE) e Amanda “Marmitex” (PT/Sintect-DF), de que se eles propusessem 8% mais algum “cala-boca”, a empresa ofereceria 8,1% e todos sairiam da campanha salarial dizendo para os trabalhadores que tudo já foi uma grande vitória. Já a categoria é obrigada a amargar mais um ano de um salário cada vez menor.

A “contraproposta” seria eficiente para “comover” o TST?

Para disfarçar o que de fato está em jogo, os sindicalistas pelegos procuram afirmar que os trabalhadores deveriam se mostrar flexíveis. Fazem a campanha do patrão de que os trabalhadores são intransigentes, como se a máquina de exploração e escravidão não fosse a

empresa. Quer dizer, para o pelego não é o patrão que é intransigente e nunca cede em nada, mesmo nas menores coisas, mas sim os trabalhadores que lutam e reivindicam.

Mas basta pensar um pouco para ver que não faz nenhum sentido a ideia. Tanto a ECT, como o TST, só cedem alguma coisa com base na pressão política dos trabalhadores. O sindicalista pode aparecer para o Juiz como uma pessoa de muita boa vontade, mas se não houver greve, pode esquecer o atendimento de qualquer reivindicação. Segundo a lógica desses sindicalistas, não deveríamos nem fazer a greve, bastava ser “bonzinho” com a empresa que tudo se resolveria. Na realidade, nem a ECT nem o TST estão aí para dar nada ao trabalhador, e sim para tirar.

Enquanto uns lutaram…

Enquanto os membros que sempre participaram do comando decidiram sair para a base para mobilizar a categoria e organizar e fortalecer o movimento nacional, outros só aparecem para dar o golpe.

Para se ter uma ideia, todos os que gostam de rebaixar a pauta boicotaram abertamente qualquer movimento em São Paulo e no Rio de Janeiro, pelo contrário, Hallison e seus amigos do PT foram os primeiro a tentar quebrar a greve, junto com os divisionistas da federação paraguaia na divisão da data da greve.

Os rebaixadores de pauta também se ausentaram do ato nacional em Brasília do dia 30, que resultou na ocupação do Edifício Sede da ECT e se ausentaram do ato realizado no CTP Jaguaré em São Paulo (maior setor dos Correios do País) durante o Conrep, em julho.

Pelego é assim, só aparece na hora de furar a greve.

Conclusão

Os trabalhadores dos correios devem tirar duas importantes lições desta campanha salarial:

1) os trabalhadores de luta devem se organizar de maneira completamente independente das direções pelegas do PT, do PCdoB-PMDB (Findect)

e da Conlutas; é preciso formar oposições sindicais nesses sindicatos que façam a voz da base ser ouvida e que derrubem estas direções sindicais que são o maior obstáculo para a vitória das lutas dos Correios;

2) não se pode ter absolutamente nenhuma ilusão nem na “flexibilidade” dos dirigentes da ECT nem nos juízes do TST, todos os dois inimigos dos trabalhadores. Somente a organização dos trabalhadores pela base e uma greve que paralise efetivamente toda a distribuição dos correios em todo o país pode levar a categoria à vitória.

Declaração

da corrente Ecetistas em Luta

outubro de 2013

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