Juízes repreendem ECT por ter assinado acordo com sindicatos da Findect

Julgamento da greve dos Correios
O julgamento desta greve no Tribunal Superior do Trabalho mostrou uma tese fundamental da luta da categoria: que é quanto mais forte e combativo o movimento, mais os juízes, o governo e a empresa ficam na defensiva e maior as chances de conseguir conquistas para os trabalhadores
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 Golpe da ECT de quebrar a greve assinando acordo com a Findect foi motivo de repreensão dos ministros no TST

Este ano, os trabalhadores ocuparam o Edifício Sede da empresa e radicalizaram a greve em vários estados, como em Minas Gerais, onde piquetes impediram o funcionamento do prédio central e do complexo.

A ocupação do Ed. Sede não foi motivo de julgamento da greve abusiva, nem de nenhuma advertência por parte dos juízes à categoria. Pelo contrário, os juízes repreenderam a ECT.

Eles concluíram que quem causou prejuízos à Campanha Salarial foi a empresa, por ter assinado o acordo com a Findect, a federação criada pelo PCdoB e pela própria empresa, para enfraquecer a greve e dividir a categoria.

“A empresa brasileira fez acordo com os sindicatos com o dissídio coletivo instaurado, não era para fazê-lo (…), mas fez. Criou toda essa celeuma, inclusive com a participação da federação (Findect) que não tem registro sindical, diga-se de passagem. Quem criou esse problema foi a ECT”, afirmou um dos ministros.

O advogado da ECT pediu esclarecimentos dizendo que a empresa não assinou o acordo com a Findect, mas com os sindicatos. “Com relação ao acordo firmado, foi apenas com os sindicatos, não com a Findect”.

E o ministro rebateu: “Eu falei que celebrou acordo! Não com a federação, com os sindicatos, e não devia!”.

A conclusão é óbvia: a empresa agiu contra a legislação, fez um ato ilegal, mas achava que por ser empresa e não representação dos trabalhadores, teria todo o aval da Justiça para fazer o que fizeram.

Em todos os julgamentos de dissídio coletivo até aqui, a empresa sempre foi protegida pelos juízes de qualquer abuso contra os trabalhadores, mas desta vez pela força do movimento e a combatividade da categoria, os juízes repreenderam a ECT.

A manobra da empresa teria sido bem sucedida se a categoria não tivesse reagido à altura como fez, aumentando a greve, paralização completamente setores fundamentais em várias estados e denunciando os sindicatos patronais.

A empresa, por meio do seu advogado, disse em vários momentos da sua exposição que a Fentect havia ameaçado a ocupar o TST, pedindo aos ministros que repreendessem a federação e vissem o ponto de vista da empresa.

É justamente por isso que os ministros decidiram não impor nada que agravasse a situação dos trabalhadores, para que estes de fato não tentassem ocupar o prédio do tribunal após o julgamento.

A combatividade da greve também garantiu a manutenção do plano de saúde da categoria.

É essa a linguagem que os patrões e a Justiça dos patrões entende e essa é uma lição para os trabalhadores nas próximas greves. Só com ocupações da empresa, do tribunal e com greves combativas que os trabalhadores conquistarão suas reivindicações.

Outra lição dessa greve é a necessidade de derrubar os sindicalistas pelegos e vendidos, que criaram uma federação falsa, entraram em greve antecipada para prejudicar a luta nacional.

A tentativa de divisão da categoria dos Correios, pleiteada tanto pelo PCdoB, como pelo PSTU foi derrotada nessa Campanha Salarial.

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