20 de novembro: Dia de luta do povo negro contra a repressão e a PM

Compartilhamos material do coletivo de Negros João Candido:

Direta ou indiretamente o negro, para alcançar seus direitos, enfrentou ao longo dos séculos os aparatos repressores do regime; muitas vezes a luta foi pelo fim da repressão, pelo fim da polícia
42350 

 Zumbi liderou o Quilombo dos Palmares contra a repressão da Coroa portuguesa.

O 20 de Novembro, o Dia de Luta do Povo negro, no ano de 2013 relembra os 318 anos da execução do líder negro Zumbi dos Palmares pelas forças repressoras do regime imperial de Portugal.

A importância desta data, especialmente neste ano em que se viu centenas de protestos pelo Brasil, se confirma em virtude da história de Zumbi ser uma das primeiras conhecidas em que o negro se organizou e lutou contra a repressão.

O Quilombo dos Palmares era um local em que escravos libertos se reorganizavam para levar uma vida ao menos semelhante ao que tinham vivido na África antes de serem traficados para o Brasil. Tinham como liderança Zumbi dos Palmares.

A Coroa jamais iria permitir que negros se organizassem para colocar um ponto final na escravidão, mesmo que fosse em um único terreno, pequeno diante da extensão territorial brasileira.

Assim se deu uma das maiores histórias de luta do negro, que foi a resistência de Zumbi e do Quilombo dos Palmares às sucessivas investidas armadas do império português.
Da luta organizada à “consciência negra”

Embora com o passar do tempo o 20 de novembro tenha sido absorvido por um caráter de mera “consciência”, sua importância, mais que nunca, se deve ao caráter organizativo do povo negro e sua luta contra a repressão do regime.

Desde então o negro organiza sua luta de forma independente, sempre em busca de avanços em seus direitos, mesmo que seja mínimo, como o direito às cotas raciais nas universidades, ou outros mais históricos e elementares, como direito ao voto, o fim da discriminação no trabalho, acesso livre às dependências públicas ou privadas, direito ao ensino etc.

Em todas elas deve ser ressaltado que direta ou indiretamente estava a luta contra a repressão policial. O negro organizado é como se fosse um sinal de alerta para todas as forças repressivas do estado capitalista.

Não é à toa que o governo petista, em conluio com o governo do Rio de Janeiro, implantou todo um regime específico de repressão às comunidades cariocas, as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora, que são responsáveis por uma série de atrocidades contra o povo negro e pobre, tendo ganho maior notoriedade o caso do pedreiro Amarildo, torturado e assassinado por policiais da UPP da Rocinha.

O governo de São Paulo teve a chance de observar que quando a periferia reage o que antes era encarado como “vandalismo” se torna a regra. E a Zona Norte foi palco de uma revolta que lembrou o norte-americano LA Riots, de 1992.

Por sinal, nas duas situações, a revolta foi contra a repressão policial. Em um caso, o brasileiro, a PM deu um tiro no peito de um jovem de 17 anos. Dizendo que foi “sem querer” o policial foi liberado. Em outro, os policiais foram absorvidos de terem espancado quase até a morte Rodney King, dando início a um levante negro que isolou Los Angeles por vários dias.

Esses fatos se multiplicaram em várias cidades do Brasil. Na onda de protestos que se alastraram pelo Brasil no ano de 2013, o movimento negro organizado lutou contra a repressão policial, pelo fim do genocídio negro, pelo fim do racismo.
O fim da PM

Diante dos novos acontecimentos, a Polícia Militar mostrou que é uma organização selvagem, com ordens para reprimir manifestações, caçar negros e pobres, plantar provas, torturar, atirar na imprensa, mutilar, etc.

O contorno dos protestos, que reivindicavam uma série de direitos, acabou por ganhar um viés específico da luta contra a repressão policial, donde surgiu uma parcela especializada em resistir contra a PM nos protestos, os Black Blocs.

É uma consequência natural dos eventos diante da brutalidade da polícia militar; foi assim que a polícia brasileira conseguiu ganhar a rejeição de quase a totalidade do país.

Do fervor das manifestações e da repressão violenta da PM é que uma pauta histórica do movimento negro começou a ganhar as ruas: o fim da polícia.

Essa reivindicação ganhou os mais variados contornos. Grupos que pediam que a PM se retirasse de qualquer protesto, que ela fosse desmilitarizada, e de forma mais acabada que seu quadro fosse inteiramente dissolvido, das delegacias às prisões. Incluindo aí todas as polícias, todos os agentes repressivos do estado.

Essa luta é uma das principais do negro em qualquer lugar do mundo. É uma reivindicação internacional a de que a polícia acabe. Exemplos puderam ser vistos em quase toda Europa este ano, em Nova Yorque, ao sul dos EUA é uma tradição lutar contra a PM. Nos demais países sul americanos, na África do Sul, etc., em todos eles, numa rápida pesquisa, pode ser encontrado algum protesto contra a polícia e contra o racismo da corporação.

Essa questão ganha esse contorno mundial por conta do capitalismo sustentar regimes de opressão ao negro. E o “trabalho sujo” de impedir a organização do povo negro, de calar à força o negro é feito mundialmente pelas polícias.
Pela dissolução da PM

A dissolução da polícia, nesse sentido, se apresenta como a reivindicação mais consequente no atual estágio social.

Trata-se de acabar com todas as forças repressivas do estado capitalistas, da secreta Polícia Federal até o cabo da PM. Da prisão à penitenciária, por tudo abaixo, pois é um regime racista, de repressão ao negro e ao pobre, não por erros ou exceção, mas pela natureza de seu funcionamento.

Viva Zumbi, viva a luta do povo negro!

Zumbi e tantos outros heróis do povo negro se destacaram na luta pela libertação negra através dos meios que lhes eram possíveis. Os poetas, artistas, políticos, e outras parcelas da intelectualidade negra também dedicaram milhares de páginas de jornais, folhetos e livros para denunciar que o negro vive em um regime de opressão, que tem como primeiro adversário a força repressiva do regime colonial de outrora e do estado burguês atual.

Não por menos Mumia Abu Jamal ainda está preso nos EUA acusado num processo fraudulento de matar policiais brancos. Não por menos assistimos chacinas e massacres cometidos por policiais, à paisana ou não. Carandiru, candelária, Amarildo, Juan, Douglas… a polícia é um grupo de extermínio por sua natureza.

Dessa forma, o sentido do 20 de novembro ganha um claro contorno de uma luta contra a repressão policial, pois assim tem sido ao longo de todas lutas encampadas pelo negro organizado, ao longo da história mundial. Pela dissolução da polícia, pelo direito de autodefesa, pelo armamento do povo, viva Zumbi, viva a luta do povo negro!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s