As tarefas do movimento dos Correios no próximo período

A atual etapa de luta exige o fortalecimento de uma organização política e do desenvolvimento de uma imprensa nacional que seja um instrumento de luta da categoria

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Os trabalhadores dos Correios saíram de mais uma campanha salarial em outubro, depois de uma greve de mais de 20 dias. Essa campanha salarial foi a segunda com a oposição nacional estando a? frente da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios).

Logo de cara, e? necessário dizer que a campanha salarial terminou empatada. A empresa não conseguiu impor as derrotas que programava contra os trabalhadores, por sua vez, os trabalhadores também não obtiveram conquistas, ainda que puderam barrar a sede da direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) em atacar direitos elementares, como o Plano de Saúde, e a própria representação da Fentect como única organização nacional da categoria.

Um breve balanço da Fentect

O movimento sindical nos Correios vem claramente se desenvolvendo num sentido revolucionário. A vitória da oposição no congresso da federação de 2012 foi um fator importante e decisivo dessa evolução. Por uma margem apertada de votos, delegados vindos de várias partes do País, conseguiram impor uma derrota a? burocracia sindical da Articulação Sindical/PT e PCdoB.

Entender o resultado do congresso como uma consequência de manobras políticas “por cima” e? uma compreensão não somente errada do problema, como infantil e ate? mesmo oportunista, na medida em que serve apenas para fortalecer a burocracia sindical. O que ocorreu no congresso da Fentect não foi nada mais do que a expressão de uma luta que os trabalhadores dos Correios já vinham fazendo ha? anos contra a burocracia sindical.

A experiência da categoria com os anos e anos de traições e política patronal de todos os setores da burocracia, de PSTU a PCdoB, passando pelo PT, foi o que criou um movimento independente, contra essa mesma burocracia. Esse movimento de oposição se agrupou, ainda que houvesse muitas debilidades, e conseguiu vitória importante no congresso.

Atualmente, esse movimento evolui num sentido mais profundo. Setores mais a? direita, como a maior parte do MRL/PT, que chegaram a formar o bloco de oposição empurrados pela pressão dos trabalhadores, agora começam a romper com a oposição nacional. No entanto, a aproximação do MRL, ou melhor dizendo, a reaproximação do MRL aos setores mais direitistas da burocracia, como a Articulação Sindical, não pode ser entendido como um enfraquecimento do movimento de oposição. Pelo contrário, a cisão de determinados grupos e? um fortalecimento da oposição e deve ser entendida como um depuramento da oposição, ainda que aparentemente e muito temporariamente essa cisão possa resultar em uma retomada da maioria pelo bloco burocrático na diretoria colegiada da Fentect.

Uma categoria em ascenso

Nesse sentido, qualquer análise ou balanço do movimento dos Correios só pode ser feito levando em conta o desenvolvimento da luta da categoria. O movimento dos Correios tem características próprias que explicam o atual estágio dessa luta.

Em resumo, é preciso levar em conta alguns fatores específicos:

1)   O movimento dos Correios, do ponto de vista da formação de suas organizações é mais recente em comparação a outras categorias operárias. A formação dos sindicatos e da federação nacional deu-se tardiamente. Na enorme onda de greves dos anos 80, sindicatos como o dos metalúrgicos, químicos e bancários já existiam como uma estrutura burocrática, cabendo ao movimento operário em ascenso derrubar o velho peleguismo e retomar essas organizações para a luta dos trabalhadores. No caso dos Correios não foi assim. A onda de greve dos anos 80 tiveram que criar os sindicatos e a federação praticamente do zero. Os trabalhadores precisaram primeiro derrubar os militares que proibiam a formação de sindicatos dos correios e depois formar essas organizações. Desse modo, enquanto sindicatos como o dos metalúrgicos ou dos gráficos têm décadas de existência, os sindicatos dos Correios são muito recentes, produto direto do ascenso da segunda metade dos anos 80;

2)   A burocracia sindical dos Correios deve ser entendida também como um fenômeno recente. É uma burocracia que se forma principalmente de elementos centristas, ou seja, não completamente envolvidos com uma política abertamente patronal. Essa característica da burocracia sindical também é um fator de instabilidade para ela mesma, pois não consegue sustentar sua própria condição de burocracia: ao mesmo tempo que não consegue apoio sólido entre os trabalhadores, também não consegue levar adiante, de maneira acabada, as políticas impostas pelos patrões;

3)   Essa condição de fragilidade da burocracia sindical permitiu a permanência e a consolidação de uma organização classista e revolucionária dentro do movimento dos Correios: os militantes do PCO, agrupados na corrente Ecetistas em Luta. Foram os militantes do PCO, inclusive, que tiveram papel central na formação da Fentect e dos sindicatos.

Essas características, que não são obra de nenhum gênio, mas produtos de condições determinadas da luta, foram o que permitiram que a categoria se destacasse como uma das mais combativas. Nos anos 90, em pleno refluxo do movimento operário, os Correios protagonizaram greves importantes. Essas greves foram um fator importante na experiência dos trabalhadores em relação à burocracia sindical.

A situação se agrava em 2003, quando o PT sobe ao governo federal. A greve desse ano é o primeiro golpe mais duro contra a burocracia sindical e o início da crise que se estende até hoje. Nessa greve, a diretoria do sindicato de São Paulo, constituída por uma aliança entre PT-PCdoB-PSTU, foi completamente derrotada pela ação dos trabalhadores. A desagregação da burocracia em São Paulo funcionou como uma espécie de detonador da explosão da burocracia em nível nacional.

Burocracia sindical em alto estágio de desagregação

A experiência da categoria, por um lado, e a presença do PCO como grupo classista, por outro, aceleraram a crise da burocracia sindical.

Greve após greve, traição após traição, os trabalhadores evoluíam mais profundamente no sentido de uma política combativa e de luta aberta contra toda a burocracia sindical.

Um marco importante da crise foi a greve de 28 dias em 2011. A maior mobilização desde 2003, em que os trabalhadores passaram por cima da burocracia sindical, que por diversas vezes tentou acabar com a greve e foi impedida pela categoria. Em São Paulo, a diretoria do sindicato, do PCdoB/CTB, por muito pouco não foi derrubada pelos trabalhadores nas próprias assembleias de greve. No final da campanha salarial, para conseguir terminar a mobilização, a diretoria do Sintect-SP foi obrigada a convocar uma assembleia relâmpago, sem divulgação, em local diferente, em pleno feriado do dia das crianças. No Rio de Janeiro, o mesmo PCdoB/CTB,  simplesmente mandou os trabalhadores voltarem ao trabalho, sem assembleia, anunciando pela internet o fim da greve.

De uma maneira ou de outra, golpes como esse se repetiram em praticamente todos os sindicatos. A burocracia sindical, do PSTU, PT e PCdoB, protagonizou uma debandada da greve. Tal manobra resultou em enormes prejuízos para a categoria: os trabalhadores foram obrigados a aceitar um regime de compensação dos dias nos finais de semana, sem folga, tiveram ainda sete dias descontados e outros absurdos.

A crise de 2011 foi a principal causa do racha do PCdoB, nos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro, na Fentect. A empresa sabia do crescimento da oposição e que não conseguiria segurar as próximas mobilizações usando de dentro da Fentect. Por isso, patrocinou a saída justamente dos dois maiores sindicatos, para dividir o movimento nacional e apostar na confusão como arma para frear a mobilização dos trabalhadores.

O racha do PCdoB quebrou de uma vez por todas a unidade política da burocracia, cujo núcleo central se dava na aliança PCdoB-PT dentro da Fentect. O resultado foi um enfraquecimento definitivo da política de contenção da burocracia sindical contra o movimento da categoria. O bloco traidor passava para um estágio superior de crise: uma desagregação que se aprofunda a cada dia. A crise terminal das alas burocráticas atingiu, um por um, todos os grupos. A vitória da oposição no Congresso da Fentect foi o resultado direto dessa crise.

O fortalecimento da oposição nacional

Desde o congresso de 2012, quando o movimento de oposição ganhou maioria na Fentect, é cada vez maior a forte presença de grupos de oposição. Esses grupos, impulsionados pela oposição nacional, aparecem em todas as bases sindicais no País, surgidos normalmente de elementos novos na categoria, são agrupados em torno de uma política única: derrotar os pelegos que ainda se encontram nos sindicatos.

Essa tendência oposicionista em todos os sindicatos é muito clara e fica comprovada pelos resultados eleitorais obtidos pelas chapas oposicionistas. No Paraná, em Campinas, no Mato Grosso, em São José do Rio Preto, no Amazonas e no Ceará, as chapas apoiadas formadas pela Articulação Sindical/PT foram derrotadas, inclusive perdendo sindicatos importantes como o Paraná. O PSTU/Conlutas perdeu metade de seus sindicatos aliados já em 2012, momentos antes do Congresso. Hoje, o PSTU mantém maioria apenas no Sindicato dos Trabalhadores do Vale do Paraíba, nos demais sindicatos que ainda estão aliados a ele na chamada federação anã (FNTC), como São José do Rio Preto e Pernambuco, o PSTU ou não existe na diretoria ou é minoria.

O caso do PCdoB é tão desesperador quanto os demais. Os sindicatos que fazem parte da Findect, a federação paraguaia que tentaram formar, precisaram romper completamente com o restante do movimento nacional como uma forma desesperada de se preservar diante das oposições. Esses sindicatos, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, mantem-se a duras penas com o apoio da empresa e levando adiante uma ditadura contra os trabalhadores. Não existem mais assembleias em São Paulo, o que eles chamam de assembleia é feito em local fechado, com acesso restrito, sem convocação e com a proibição da participação da oposição. Basta ver a manobra escandalosa que a diretoria do Sintect-SP foi obrigada a fazer para encerrar a greve desse ano.

Crescem em cada sindicato as oposições de base, impulsionadas pela oposição nacional. O Movimento de Oposição ao Peleguismo (MOPe) por sua vez, se fortalece nacionalmente. A tendência oposicionista é produto do ascenso da categoria no sentido classista e revolucionário.

A corrente Ecetistas em Luta e o PCO

Os militantes e simpatizantes do Partido da Causa Operária nos Correios intervêm na categoria através da corrente Ecetistas em Luta, que cumpriu papel fundamental na organização do MOPe e tem organizado várias oposições nas bases dos sindicatos.

O PCO levou durante anos uma política de denúncia e esclarecimento da categoria que ajudou a evoluir a compreensão dos trabalhadores no sentido de uma política classista. Em torno à corrente Ecetistas em Luta agrupou-se vários setores oposicionistas em diversas etapas da luta na categoria. Finalmente, a corrente foi fundamental para a aliança de toda a oposição como uma frente única para derrubar a burocracia sindical na Fentect e nos sindicatos.

Sobre a importância da corrente, é necessário dizer claramente que as vitórias que a oposição vem conseguindo na categoria foram impulsionadas pela política revolucionária do PCO. Sem uma elaboração teórica e prática, sem uma luta organizada e centralizada, sem uma política que intervenha com coordenadas gerais, numa palavra, sem um programa político verdadeiramente operário, independente e revolucionário, não é possível uma intervenção que faça realmente avançar a luta da categoria.

O ascenso de luta da categoria, a crise da burocracia sindical e o fortalecimento das oposições sindicais só podem dar lugar à evolução da categoria no sentido de uma organização que extrapole a ação meramente sindical para a luta dentro de um partido político independente dos trabalhadores. Dito mais claramente, a luta sindical nos Correios vai dar lugar à luta por um programa político que lute pelo poder da classe operária.

A necessidade de um Partido Operário

O partido operário, com um programa verdadeiramente classista e independente, é uma necessidade de todos os trabalhadores, que mais cedo ou mais tarde chegarão à conclusão sobre um fato fundamental: a vitória diante dos patrões só é possível com a derrubada da burguesia e a tomada do poder pela classe operária.

O PCO representa, na atual etapa da luta nos Correios, a necessidade dos trabalhadores de evoluírem da luta meramente sindical para a luta pelo poder político. A experiência mostra, de maneira cada vez mais profunda, que os problemas dos trabalhadores são problemas políticos, que para se opor aos partidos dos patrões, é necessário construir um partido independente que derrube os patrões.

A própria luta sindical só é amplamente desenvolvida quando há uma política organizada e centralizada, realmente comprometida com a luta dos trabalhadores. Os ataques contra os trabalhadores dos Correios não são exclusividade da categoria, mas fazem parte de uma política geral da burguesia e do imperialismo contra as condições de vida da população.

Está colocado aos trabalhadores dos Correios a construção e o fortalecimento de um partido operário, revolucionário e independente. É hora de dizer claramente a necessidade do partido e a importância do PCO na categoria, como resultado da experiência de todos os trabalhadores. Somente um partido militante poderá dar a coesão e a unidade que os trabalhadores precisam para serem vitoriosos.

Fortalecer uma imprensa nacional nos Correios

A principal tarefa dos militantes é o desenvolvimento de uma imprensa partidária na categoria que posso “sintonizar” os trabalhadores de acordo com um programa de luta independente. Isso só é possível por meio de uma centralização política e de uma organização militante que leve adiante uma imprensa que seja uma verdadeira força na categoria.

A política levada adiante pelo PCO e a corrente Ecetistas em Luta nos Correios foi bem sucedida graças a esse trabalho de agitação política e propaganda. Sem isso, os trabalhadores entrarão na guerra desarmados, diante da potência dos meios de comunicação da burguesia, e sua propaganda anti-trabalhador. A principal arma dos trabalhadores é a sua política, as suas ideias, que só podem se tornar uma força real quando são amplamente divulgadas entre os trabalhadores.

Os esforços que foram feitos até agora para fortalecer o partido e um órgão de imprensa nos Correios tiveram algum resultado para as etapas de lua até aqui. Mas uma nova etapa de ascenso se aproxima, os trabalhadores começam a se mobilizar em todos os cantos do País. Para dar conta desse novo período, é necessário restabelecer sobre novas bases, as organizações que já estão desenvolvidas.

Para isso, 1) é necessário organizar um grupo militante, classista, que atue sob um programa revolucionário. Esse grupo só pode ser um partido político centralizado, nacional, que lute em todas as áreas em defesa dos interesses dos trabalhadores.

2) organizar um jornal partidário dos Correios que seja o mais amplamente divulgado,  com a meta de atingir 100% da categoria a curto prazo. Esse jornal deve ser o instrumento de luta dos trabalhadores, tanto do ponto de vista imediato, como do ponto de vista de uma política geral. Esse órgão de imprensa deve servir de modelo inclusive para a organização em outras categoria. Juntamente com o jornal nacional, todos os instrumentos de propaganda devem ser desenvolvidos plenamente: internet, boletins locais, cursos, debates etc.

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