Culpados por lutar: Direção da ECT quer transformar trabalhadores e dirigentes sindicais em criminosos

Dirigentes sindicais estão sendo ameaçados pela ECT, num processo de verdadeira caça às bruxas

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A direção dos Correios mais uma vez mostra que, para ela, o trabalhador não é apenas escravo, mas também deve ser tratado como criminoso. Mais de uma dezena de trabalhadores e dirigentes sindicais estão ameaçados pela Empresa apenas por terem participado das mobilizações da campanha salarial do ano passado.

No dia 30 de agosto, durante as negociações da campanha salarial dos Correios, centenas de trabalhadores se reuniram em frente ao Edifício Sede da empresa, em Brasília, para realizar um dos primeiros atos da campanha salarial. Naquele momento, como iria acontecer durante todo o curso da campanha salarial, os representantes da ECT se negavam a negociar as reivindicações da categoria.

Os trabalhadores presentes ao ato, revoltados com a intransigência da ECT, decidiram entrar no prédio para exigir as negociações. Cerca de 50 trabalhadores subiram até o 18o andar para forçar a comissão de negociação da ECT a negociar. Os trabalhadores, alguns deles dirigentes da Fentect e representantes eleitos do Comando Nacional de Mobilização e Negociação, se reuniram com a chefe do Departamento de Relações do trabalho, Janete Ribas, exigindo, além da retomada das negociações, uma lista de reivindicações da categoria.

Revelando que a Empresa não tem compromisso com os trabalhadores, os “negociadores” da ECT fugiram pela porta dos fundos, evacuaram o prédio e chamaram a Tropa de Choque da PM para retirar os trabalhadores que apenas aguardavam uma resposta às suas reivindicações.

A pressão dos trabalhadores surtiu efeito e obrigou a ECT a apresentar uma proposta, ainda que miserável, de reajuste de 5,27%.

Diante da mobilização dos trabalhadores, a Empresa está convocando, de maneira arbitrária, alguns dirigentes sindicais para prestar depoimento sobre a manifestação do dia 30 de agosto. Dirigentes de sindicatos e da Fentect foram perseguidos em suas casas, lembrando os tempos da ditadura militar. Lutar virou crime nos Correios.

A direção do PT na ECT cumpre exatamente o mesmo papel dos militares e da direita que demitiram milhares de companheiros apenas por fazer greve e lutar por seus direitos. A direção petista dos Correios está imitando também os mesmos métodos que a direita, através do STF, está usando para colocar na prisão os dirigentes do PT, como José Dirceu e José Genoíno. Mais uma vez o PT, ao mesmo tempo em que se acovarda diante dos ataques da direita nacional, imita os métodos ditatórias dessa mesma direita para perseguir trabalhadores que estão apenas exercendo seu direito de lutar.

A perseguição aos companheiros que participaram do ato do dia 30 de agosto é mais uma prova de que o governo e a direção dos Correios do PT não passam de paus mandados dos banqueiros internacionais que querem privatizar a empresa. A perseguição política e as ameaças da ECT é mais uma etapa do golpe da Postal Saúde, ou seja, da tentativa da empresa de destruir e privatizar o Plano de Saúde da categoria.

A transformação da luta dos trabalhadores em crime é uma reação da direita nacional – da qual o PT serve como cobertura – ao aumento das mobilizações populares em todo o País. Mas é importante dizer que o efeito será o contrário do que pretende a direção da ECT. As mobilizações e as medidas enérgicas de luta só irão aumentar diante da truculência da empresa. Se os patrões querem guerra para atacar nossos direitos, os trabalhadores também sabem responder com a mesma energia.

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