“É a hora de passar por cima das direções pelegas”

Entrevista com Robson Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas, a respeito da greve nacional contra a privatização do Contra a privatização do Convênio Médico da categoria
Causa Operária: A categoria está em greve fora da campanha salarial, contra a privatização do Correios Saúde. A empresa diz e a imprensa capitalista divulga que não vai mudar o convênio médico. Mas já existem denúncias de cobranças de procedimentos em diversos lugares. Pode comentar isso?

Robson Silva: Acontece que é uma mentira descarada da empresa. Inclusive os companheiros do Paraná já identificaram cobranças de procedimentos médicos que foram feitos em hospitais e também tem denúncia em Minas Gerais de um hospital que faz grande parte do atendimento em Belo Horizonte, que não aceitou o Convênio do Correios Saúde para um companheiro aposentado. Ou seja, exatamente como está escrito no estatuto do Postal Saúde, os aposentados vão  ser excluídos imediatamente obrigados a pagar mensalidade.

Causa Operária: A empresa está atacando primeiro os aposentados…

Robson Silva: É. Primeiro a empresa falou que não ia mudar nada. O que era uma mentira e a gente denunciou todo esse processo. Depois, agora na última hora, a empresa diz que só vai mudar para os que entrarem, os novos. Ou seja, já admitiu alguma mudança. Então, todo mundo já ficou ligado que vai mudar para todo mundo. Não só para os novos, o que já seria muito ruim. Os aposentados já estão sendo. Nós, mais antigos de empresa, que estamos nesse plano com certeza seremos obrigados a migrar para o novo. Então, o trabalhador está bem ligado nisso tudo.

Causa Operária: E como está a greve em Minas Gerais?

Robson Silva: A greve é uma greve boa. Combativa. Os companheiros que estão na greve estão bem firmes. Fizemos duas passeatas grandes no centro de Belo Horizonte e no interior de Minas também tem muita gente parada. E a tendência da greve é ampliar. Porque está todo mundo se esclarecendo. Na medida em que vai passando o tempo e a gente tem mais possibilidade de conversar de perto com o trabalhador, tira os boletins, vai ficando claro que vai ter cobranças e é realmente a privatização do Plano de Saúde.

Causa Operária: E é isso que está fortalecendo a greve né? Nesse sentido, poderia explicar, a importância do Convênio Médico para o trabalhador ecetista?

Robson Silva: O Convênio  foi uma conquista. Não foi de graça. Foi uma conquista a custa da demissão de mais de cinco mil trabalhadores. Então teve muito companheiro que lá atrás lutou para termos o convenio médico como ele é hoje. Um plano de autogestão e RH, em que a empresa tem que custear todos os procedimentos médicos nossos e dos nossos beneficiários. Também o Plano de Saúde é amplo. E atende tanto os aposentados quanto os pais e mães dos trabalhadores. Então tem envolvida mais de 500 mil pessoas. A privatização de um plano desses com certeza vai prejudicar demais os trabalhadores. Sem dúvida esse é um dos maiores, senão o maior ataque que eu vi à categoria ecetista.

Causa Operária: Não é à toa que tem mães e filhos de trabalhadores participando de mobilizações em minas gerais.

Robson Silva: É verdade. É como nós estamos falando a greve é de todos. Dos pais, mães, filhos e os trabalhadores estão levando seus dependentes para a mobilização porque eles entenderam que todo mundo tem que encampar essa luta porque é o maior benefício da empresa.

Causa Operária: A empresa por sua vez já está furar a greve convocando setores de trabalho inteiro para trabalhar no domingo. Qual a orientação do sindicato, como vocês estão lutando contra isso também…

Robson Silva: Nós vamos barrar essa convocação. Amanhã mesmo que é domingo (dia 2 de fevereiro) tem um setor que foi convocado para trabalhar e nós vamos fazer piquete chamando o trabalhador para a greve. Porque é um absurdo.

Inclusive tem denúncia já de trabalhadores de outras bases sindicais, do interior, como é o caso de Uberaba, que foram convocados para trabalhar em Belo Horizonte de fura-greves. Então os trabalhadores de lá de Uberaba, Uberlândia também já se revoltaram e irão fazer paralisação lá, passando por cima da direção do sindicato.

Eles são de outra base sindical. É bom explicar que Minas Gerais tem três sindicatos. O nosso que tem sede em Belo Horizonte e é dirigido pela Corrente Ecetistas em Luta-PCO, que tem 657 cidades em sua base; tem o sindicato de Juiz de Fora, que comporta basicamente a Zona da Mata, Barbacena, um sindicato que não está em greve, e é dirigido pelo PT, Articulação Sindical, que está sentando na Mesa de Negociação Permanente da empresa, um tremendo golpe contra os trabalhadores; e tem Uberaba, um sindicato da região do triângulo mineiro, que também estava se sentando à mesa, dirigido pelo MRL, o Mendes. Um sindicato que os trabalhadores já estão se organizando para passar por cima, porque é inaceitável que uma direção sindical aceite que a empresa ataque o maior benefício dos trabalhadores. Então essa é realmente uma guerra.

Causa Operária: E como o sindicato de Minas Gerais é o maior sindicato filiado à Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) o que vocês têm a dizer para o resto do país, especialmente essas bases que as direções sindicais estão traindo a categoria, como São Paulo e Rio de Janeiro…

Robson Silva: É a hora de passar por cima das direções pelegas. Porque se não lutar agora, não tem outra hora para lutar. Esse é o maior benefício da categoria, que foi conquistado com muita luta. E como a gente diz em Minas, a luta é de todos.  Temos que chamar todo mundo. Reunir forças e se preciso for, a gente vai organizar as bases nos outros sindicatos para ampliar a greve nacional. Porque a greve é legal, foi chamada pela Fentect, a representante dos trabalhadores nacionalmente e a gente tem que fazer valer essa força.

Temos que nos juntar, ir na base de São Paulo; ir na base do Rio de Janeiro; e ir nas bases pelegas que ainda não estão em greve. Pelego que eu digo, as direções dos sindicatos, porque o trabalhador dessas bases não tem nada a ver. Ele sabe que é um ataque da empresa, ele sabe que tem que responder à altura e vai procurar apoio em que pode ajudar. E nós vamos dar esse apoio a todos os trabalhadores.

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