É preciso combater a infiltração da direita golpista no sindicalismo dos Correios

Nota da corrente Ecetistas em Luta

Sindicalistas da Conlutas nos Correios estão aliados com extrema-direita fascista para defender a privatização, o fim dos sindicatos, a repressão policial e os ajustes econômicos contra os trabalhadores

A situação política no Brasil é cada vez mais polarizada. A burguesia internacional está se aproveitando das debilidades do governo do PT para colocar em marcha um golpe de Estado que substitua o governo por um que seja capaz de fazer aquilo que o governo do PT não conseguiu e não pode fazer: liquidar a Petrobrás, privatizar de uma vez os Correios, acabar com a CLT e muitas outras coisas. Isso tem que ficar claro de uma vez por todas. A política do PT, burguesa e patronal, não é suficiente para suprir os interesses materiais dos banqueiros e capitalistas em crise. Os capitalistas associados com o PT, além disso, têm interesses econômicos e políticos que conflitam com o interesse do imperialismo.

O PT está entregando o correio para os capitalistas, mas para esses grandes monopólios, o processo é muito lento e demasiadamente parcial. Eles querem que os Correios sejam entregues de uma vez só para o usufruto dos capitalistas. Eles querem que seja feito com os Correios o que foi feito com as empresas privatizadas na época de FHC. Entregar tudo a preço de banana para os lucros dos capitalistas, promover dezenas de milhares de demissões. Essa é a mesma política em relação à Petrobras e a toda a economia nacional. Os grandes capitalistas que estão articulando o golpe contra o PT querem colocar em prática seu plano de devastação da economia brasileira.

A campanha de denúncias que estão iniciando em torno ao Postalis, aproveitando a bandalheira dos atuais dirigentes, nada tem a ver com a moralização ou com a defesa dos interesses dos trabalhadores, mas é a principal arma para levar adiante a política de privatização total dos Correios.

Nesse sentido, o golpe não tem como objetivo principal derrubar o governo do PT. O impeachment, ou seja lá em que forma será derrubado o governo, é apenas uma etapa do golpe. O principal alvo dos golpistas são os trabalhadores, eles precisam impor sua política atacando os direitos da população, privatizando, demitindo em massa, aumentando a repressão etc.

Por isso, nas manifestações da direita que aconteceram dia 15 de março, todas as palavras de ordem levantadas foram de ataques aos direitos dos trabalhadores e da população pobre em geral. Havia quem pedisse a “privatização de tudo”, havia os que pedissem a intervenção militar, que significa acabar com todos os direitos democráticos dos trabalhadores. Nas manifestações, formadas por pessoas da burguesia, isto é, patrões, e da classe média alta, era enorme a hostilidade contra tudo o que pudesse lembrar trabalhador. Faixas contra a esquerda em geral, defendendo o anticomunismo, exatamente como fazia a ditadura militar. Uma boa parte das manifestações pediam a intervenção militar. Elogios à ditadura e aplausos à PM não faltaram. Se uma pessoa desavisada passasse de vermelho por ali, corria o risco de ser espancada, como efetivamente aconteceu com pessoas que foram agredidas simplesmente por usar roupa vermelha.

Não é à toa que a principal propagandista do ato do dia 15 foi a Rede Globo, que fez uma cobertura especial das manifestações, inflou de maneira absurda os números dos presentes e divulgou as palavras de ordem. Não dá para ter dúvida que a Rede Globo e toda a imprensa capitalista são as principais inimigas dos trabalhadores. O trabalhador do correio sabe muito bem que bastou entrar em greve para a imprensa abrir fogo contra a categoria, mentindo e caluniando os trabalhadores.

A tarefa obrigatória de todos os trabalhadores, de todos os movimentos populares é lutar contra essa direita e contra o golpe. Se os golpistas forem vitoriosos, o que está sendo preparado é um ataque muito mais profundo às condições de vida dos trabalhadores.

Expurgar a direita no sindicalismo dos Correios

É esse ataque sem precedentes nas condições de vida dos trabalhadores o que defendem todos aqueles que foram e apoiam os atos do dia 15 de março e fazem propaganda das posições da direita e extrema-direita entre os trabalhadores dos Correios.

É isso o que defendem sindicalistas como Hállisson Tenório, secretário-geral do Sintect-PE e outros que têm feito campanha aberta para a direita golpista como os diretores do Sintect-SJO. Não por acaso, os dois sindicatos são filiados da Conlutas, a “central” sindical nanica do PSTU.

Esses sindicalistas representam uma infiltração direitista, mais precisamente da extrema-direita, dentro do sindicalismo dos Correios. São cúmplices do ataque feito por um grupo de direita ao Sintcom-PR, pichando com as palavras “lixo comunista” o muro do sindicato onde está o logotipo da entidade e a imagem de Che Guevara. Esse é exatamente o perfil dos que estavam nas ruas no dia 15 e estarão nas demais manifestações golpistas. Um ódio sem limites aos trabalhadores e principalmente às suas organizações e reivindicações.

Não precisa ser muito inteligente para perceber qual era o programa político das manifestações do dia 15, que é o programa político de todos aqueles que pedem o golpe contra o governo do PT, seja ele disfarçado de impeachment, seja ele não tão disfarçado assim com os pedidos de intervenção militar, que constituíam parte expressiva dos atos. As manifestações eram claramente patronais, não à toa que contaram com a propaganda e o apoio do monopólio da imprensa capitalista (Veja, Globo, Estado de S. Paulo) e da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que apoiou abertamente o ato, inclusive mostrando luzes verde-amarelas na faixada de sua sede na Avenida Paulista para saudar os manifestantes.

Grupos que organizaram o ato, como o “Vem pra rua”, são diretamente ligados ao PSDB, outros, como o “Movimento Brasil Livre”, defendem abertamente as privatizações, o fim dos direitos sociais etc.

Tudo o que foi para a rua no dia 15 era profundamente hostil aos trabalhadores e suas organizações. Os sindicalistas da Conlutas e outros que apoiam esses atos estão fazendo uma aliança com setores antioperários e fascistas, nada mais do que isso. Por trás de qualquer justificativa moral, que em geral são as mesmas da direita e extrema-direita, como a “corrupção do PT”, esses sindicalistas representam o que há de mais nocivo para todo o movimento operário e popular, em particular às condições de vida da população. Com um agravante: estão infiltrados no movimento sindical criando confusão, levando os trabalhadores à paralisia quando o movimento deveria estar em uma luta encarniçada para extirpar a extrema-direita das ruas.

É urgente extirpar do movimento dos Correios essa extrema-direita, antioperária e fascistoide.

Usando o governo do PT como pretexto

A explicação para a adesão desses sindicalistas à extrema-direita, inimiga mortal dos trabalhadores, é a oposição dos trabalhadores do correio ao governo do PT. Essa luta contra o PT nos Correios, porém, eles nada fizeram para desenvolver. Ao contrário, sempre estiveram aliados à direção da empresa e aos pelegos do PT e, pior, continuam com essa política até hoje. Foram favoráveis aos fraudulentos acordos coletivos do último ano e sabotaram descaradamente a última greve. Querem liquidar a Fentect e agem em comum acordo com os sindicatos de S. Paulo e RJ, que são instrumentos diretos da direção dos Correios dentro do movimento sindical.

Esta oposição ao PT é apenas um pretexto para levar adiante uma política ainda pior que a do próprio PT. Não é uma oposição de esquerda, mas uma oposição de direita.

Neste exato momento, montaram um golpe para entregar a direção da Federação dos trabalhadores ao PT, como denunciamos em nota oficial.

Os trabalhadores dos Correios não devem se deixar enganar com um falso discurso oposicionista, porque há oposição de direita e oposição dos trabalhadores. Estes sindicalistas que apoiaram o 15 de março não são oposição dos trabalhadores, são oposição de direita.

Conlutas e direita 

Para entender o significado dessa infiltração da extrema-direita nos Correios, é preciso explicar uma coisa fundamental. Não é coincidência que os sindicalistas “coxinhas” no correio sejam filiados à Conlutas. Esse é o resultado lógico da política que o PSTU/Conlutas nos Correios. Em vários momentos está com o PT para trair a luta dos trabalhadores e defender a empresa, em outros momentos se junta com a patronal Força Sindical, como no caso das demissões na GM de São José dos Campos, em outros casos se aliam ao PSDB. Tudo com o objetivo de atacar os trabalhadores em troca de privilégios e regalias que cada um oferece. O PSTU funciona em todo o movimento sindical como uma espécie de pistoleiro de aluguel.

Estamos vendo na prática o resultado dessa política. Sindicalistas de sua base de influência foram empurrados para a extrema-direita, para posições anticomunistas, antioperárias, antipovo. Hállisson Tenório e a diretoria do Sintect-PE e do Sintect-SJO se somaram diretamente aos elementos da extrema-direita fascista infiltrados no sindicalismo, junto com os integralistas, a TFP (Tradição Família e Liberdade) e outros grupos fascistoides, uma escória social.

É preciso deixar claro que toda a conversa fiada de que esses sindicalistas coxinhas estão contra o PT é uma farsa. Na hora de lutar verdadeiramente contra a direção do correio, nenhum desses sindicalistas fez a greve contra a privatização. Na realidade eles estão favorecendo a direção da ECT a atacar os trabalhadores e nesse momento estão ajudando o PT a voltar a dominar a Fentect, divindo o calendário unificado de lutas, apoiando os divisionistas do PCdoB/CTB em São Paulo e Rio de Janeiro, participando da Mesa Única (SNNP) criada pela empresa.

Hállisson Tenório, por exemplo, no final do ano passado, enquanto fazia campanha eleitoral para Aécio Neves (PSDB) – que defende a privatização total dos Correios – com a desculpa de ser “contra o PT”, aprovava a proposta de PLR da direção da ECT que aprofundou os ataques às condições de trabalho da categoria.

Tudo isso mostra que esses sindicalistas coxinhas estão mentindo para os trabalhadores de suas bases de que estariam a serviço da categoria. Na realidade eles não estão seguindo os interesses dos trabalhadores, mas fazendo abertamente o jogo político da direita e extrema-direita fascista cujo principal objetivo a atacar brutalmente todos os direitos dos trabalhadores.

Esses sindicalistas coxinhas provaram por A mais B que não lutam contra a direita, se aliando a ela, e muito menos lutam contra o PT dentro da empresa. Estão a serviço da privatização dos Correios, da terceirização, das demissões e da política fascista de repressão aos movimentos dos trabalhadores.

Por fim, é preciso deixar bem claro e desfazer as confusões. É preciso expurgar do correio essa extrema-direita, inimiga dos trabalhadores. De nenhuma maneira confundir a luta da categoria contra o PT, que é um partido patronal e traidor, com a escória da extrema-direita.

Os trabalhadores lutam contra o PT com suas próprias armas, seu próprio programa e sua organização, mas antes de qualquer coisa é preciso destruir a extrema-direita, eliminar essa escória de dentro do movimento sindical e das ruas.

Para quem tem alguma dúvida de tudo o que dissemos, basta olhar as seleções de fotos dos atos de todo o País: absolutamente nenhuma reivindicação ali dizia respeito aos trabalhadores. Nenhuma! Em troca, abundavam as fotos pedindo a volta dos militares, a privatização “de tudo”, os ataques contra a esquerda, contra o movimento sindical etc.

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