Unificar todos os sindicatos oposicionistas para impedir o golpe do PT dentro da Fentect

Carta aberta aos trabalhadores e às oposições do movimento sindical dos Correios

Desfazer as decisões de cúpula e discutir amplamente a realização de um congresso democrático com ampla participação da categoria

Está em marcha um golpe dentro da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) que visa a colocar o PT, e consequentemente a direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), de volta no controle da Fentect.

Todos os trabalhadores dos Correios em todo o País sabem que a luta contra todas as traições da burocracia sindical traidora ligada ao PT, PCdoB e PSTU dura mais de duas décadas. Ano após ano, essa coligação de sindicalistas pelegos realizaram todo o tipo de ação para ajudar a empresa a atacar os trabalhadores. Apenas para citar alguns poucos casos em que esses três grupos tiveram envolvidos podemos lembrar da assinatura do PCCS 2008 da Escravidão, que abriu o caminho para a terceirização e privatização, a assinatura do acordo bianual em 2009, a compensação escravocrata dos dias de greve em 2011 e mais recentemente as traições nas últimas campanha salariais – com mudanças de datas, rebaixamento de pauta, divisionismo.

Todas essas traições, levaram ao fortalecimento de bases oposicionistas em todo o País. Essa pressão da base resultou na vitória espetacular de um bloco de oposição, liderado pela corrente Ecetistas em Luta/PCO, que venceu o PT por dois votos de diferença no último congresso da Fentect (Contect) em 2012. A partir desta vitória, apesar de todas as dificuldades do movimento de oposição, que conquistou uma maioria pequena em relação ao PT, a federação começou a agir de acordo com interesses dos trabalhadores.

A luta política dentro da Fentect, para derrotar as posições dos antigos pelegos do PT, se deu em todos os terrenos. Alguns grupos que constituíram a oposição, como o MRL, passaram para o lado da Articulação Sindical/PT.

O PSTU/Conlutas, que foi um dos derrotados no Congresso da Fentect, passou a sabotar todas as ações da federação, levando em prática a sua política falida de divisão da federação e criação de uma federação nanica. O PSTU/Conlutas fez uma aliança com o PCdoB/CTB, que com a ajuda e apoio da empresa, saíram da Fentect para dividir o movimento e dificultar a ação da Fentect, agora com maioria de oposição.

Seja dentro da Fentect, seja de fora, os três grupos traidores dos trabalhadores continuaram agindo para sabotar  luta dos trabalhadores. No entanto, o fortalecimento das oposições de base debilitaram sua política em relação ao período anterior quando dominavam praticamente toda a Fentect e os sindicatos.

Em junho desse ano está marcado o novo Congresso da Fentect e a empresa já está articulando para recolocar os pelegos, liderados pelo PT, de volta ao controle da federação.

O passo a passo do golpe

O golpe dos sindicalistas patronais do PT consiste no seguinte: o primeiro passo já foi dado. Usaram uma maioria artificial na reunião de diretoria colegiada da Fentect para aprovar um calendário que favorecesse os interesses da empresa. Contaram com a ajuda de setores do próprio bloco de oposição, como é o caso dos membros da Intersindical, Rogério Ubine e Edmar Leite e do atual secretário-geral da Fentect, José Rodrigues dos Santos. Todos eles, junto com o PT, articularam pelas costas dos militantes da corrente Ecetistas em Luta e de outros companheiros da oposição um calendário comum que favorece a atuação do PT. Os sindicalistas independente e a Intersindical, influenciados pelo PSTU e pela derrotas sofridas pela categoria no último ano, confundiram-se politicamente e entraram de cabeça na armadilha montada pelo PT.

Nesta reunião, sem qualquer discussão na base da categoria, marcaram assembleias em cima da hora para dificultar que as oposições de base se organizem para a eleição dos delegados. Para piorar, estabeleceram, contra o próprio estatuto da Fentect, que os sindicatos poderão dividir as assembleias em mais de um lugar, o que favorece todas as manobras dos pelegos. Esse golpe também é uma maneira de dificultar a participação dos trabalhadores, pois as assembleias ficam nas mãos das diretorias sindicais que podem fazer uma assembleia na capital e outras assembleias em cidades do interior que na maioria dos casos têm poucos trabalhadores na base.

Além disso, rejeitaram a proposta feita pelos companheiros da corrente Ecetistas em Luta de estabelecer que as assembleias só poderiam ser realizadas após as 19h30 para dar tempo dos trabalhadores saírem dos setores para participar. Alguns pelegos, como é o caso de Mendes do sindicato de Uberaba, marcam a assembleia para as 18 horas, horário em que o carteiro ainda está voltando do trabalho para impossibilitar a participação dos trabalhadores que vêm de cidades mais distantes.

Querem transformar as assembleias de oposição em assembleias de chefes

O principal golpe armado pelo PT, no entanto, foi a organização das assembleias das bases sindicais onde os sindicatos são dirigidos pelos divisionistas traidores do PCdoB/CTB, da federação fantasma (Findect). Nessas bases sindicais, conforme prevê o estatuto da Fentect, as assembleias para a eleição de delegados devem ser organizadas pela oposição constituída.

As assembleias de oposição deverão ocorrer nas seguintes bases: São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Rio Grande do Norte, Tocantins e Rondônia. A maneira como foram marcadas essas assembleias, em cima da hora e em apenas três dias, serve para dificultar a atuação e organização da oposição. A datas definidas para organizar essas assembleias favorecem apenas o PT ou ainda, PSTU, que vão contar com a ajuda da direção da empresa e dos próprios pelegos do PCdoB/Findect. Essas assembleias ocorrem no final do mês, do dia 28 a 30 de abril. Ou seja, são três dias para seis assembleias, o que de imediato já implica que a oposição nacional terá dificuldades em participar e organizar os trabalhadores para intervirem em todas elas, mas os chefes e a direção da empresa não.

Essa decisão, tomada pelas costas da corrente Ecetistas em Luta e do restante da oposição, implica em algo muito grave. O terreno foi preparado para que o PT obtenha nas assembleias de oposição uma maioria artificial no congresso da Fentect. E como se dará isso? A dificuldade da oposição, vai facilitar o trabalho do PT, que deve contar com o apoio da empresa para levar os delegados nas assembleias. A direção da empresa, como já é tradicional, vai liberar os chefes e puxa-sacos para participar da assembleia e dar uma maioria artificial para o PT.

Se esse golpe nas assembleias de oposição for bem sucedido, isso dará ao PT o controle do Congresso da Fentect e uma maioria de votos que colocará os pelegos patronais de volta na direção da federação.

Para se ter uma ideia, façamos os cálculos na ponta do lápis. Apenas a delegação de São Paulo representa 50 delegados, de um total de 333[1] delegados que participam, ou seja, cerca de 1/6 ou 15% dos delegados. O Rio de Janeiro, segunda maior base sindical do País, elege 34 delegados; Bauru elege nove, Tocantins, Rondônia, e Rio Grande do Norte elegem cinco cada um. No total, as bases sindicais onde vão acontecer as assembleia da oposição têm condições de eleger 108 delegados, ou um terço de todo o congresso, mais que suficiente para modificar a relação de forças em favor dos pelegos do PT que estão atravessando a sua maior crise desde a derrota de 2013.

Os números não deixam dúvidas de que está na manipulação das assembleias das oposições que o PT quer garantir o retorno de sua maioria patronal na diretoria da Fentect. Para isso, já sabem que vão contar com o apoio da direção petista da empresa em todos esses lugares para levar os chefes e puxa-sacos.

O PT quer usar essas assembleia para conseguir uma maioria artificial no congresso. Desde a derrota no congresso de 2012, o PT vem perdendo vários sindicatos, alguns deles muito importantes como Paraná e Bahia. A maioria obtida nas assembleias das oposições, caso seja bem sucedido o golpe com a empresa, é artificial porque se depender do movimento real dos trabalhadores a delegação do PT é claramente minoritária em relação aos demais grupos.

Controle do congresso, parte do golpe

Na reunião da diretoria colegiada da Fentect também ficaram decididas medidas absurdas como a colocação de catracas no congresso e a limitação de trabalhadores da base mesmo como observadores. Essa é uma tentativa de transformar o congresso de trabalhadores em uma reunião fechada, onde prevaleça totalmente os interesses de uma burocracia sindical.

Os membros da corrente Ecetistas em Luta deixaram claro que não vão aceitar catracas no congresso e chama os delegados a não se submeterem a essa ditadura que serve ao domínio dos pelegos que querem aprovar medidas contra o interesse do trabalhador sem serem questionados.

Nesse mesmo sentido, ficou decidido, sem nenhuma discussão, que o congresso será realizado em Brasília. Essa foi mais uma medida para facilitar o controle do PT no congresso. Todo mundo sabe que o Sindicato de Brasília, dirigido por Amanda Corcino, vulgo Marmitex”, é um sindicato controlado pela empresa o que facilita o controle do congresso pela direção da ECT.

Contra o golpe do PT, convocar uma plenária de base

Convocamos todos os trabalhadores e sindicatos e ativistas de oposição a rejeitarem o golpe que está sendo preparado pelo PT e todas as alas da burocracia pelega, com a ajuda da empresa.

Procuramos pessoalmente os companheiros José Rodrigues, os dirigentes da Intersindical, de outros sindicatos independentes para discutir o problema e reverter esta decisão profundamente equivocada. Fizemos isso durante a reunião da Fentect e depois. No entanto, não fomos sequer ouvidos. Nos responderam com argumentos que, na nossa opinião, não têm cabimento.

Os argumentos apresentados até aqui são os mais infantis possíveis: não há tempo, já foi decidido, deveria ter sido visto antes etc. São argumentos que não tocam no essencial, ou seja, o problema político da luta contra o peleguismo nos correios e a possibilidade de uma vitória dos pelegos que seria um verdadeiro golpe de Estado dentro da Fentect. Tudo o que é necessário para reverter esse quadro é vontade política. Se os sindicatos oposicionistas se unirem podem reverter com facilidade essas decisões.

Por isso, lançamos esta Carta Aberta o mais amplamente possível para que o debate seja amplo e democrático com todos os militantes da oposição e com os trabalhadores que lutam contra o peleguismo.

É necessário urgentemente romper com o que foi decidido de maneira completamente burocrática na reunião de diretoria da Fentect. Decisões tão importantes para a vida dos trabalhadores dos Correios, como é o caso da organização do congresso da categoria, devem ser tomadas não em reuniões de cúpula, mas em conselhos e plenárias ampliadas com a participação mais ampla da categoria.

Por isso, a corrente Ecetistas em Luta chama os companheiros da oposição a discutir todas as decisões sobre o congresso em uma Plenária Nacional ou Conrep (Conselho de Representantes).

Não às decisões de cúpula, total participação dos trabalhadores. Por um XII Contect democrático, representativo e classista que preserve a democracia sindical conquistada no último congresso depois de anos de transformação da nossa entidade maior em um balcão de negócios, de compra e venda de sindicalistas.

Não ao golpe da empresa que quer retomar o controle da federação apoiando os pelegos do PT.

Companheiros, ainda há tempo de evitar o que pode vir a ser uma das maiores capitulações diante da direção da ECT de toda a história do movimento sindical dos correios!

[1] Números do congresso passado

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